Sexta-feira, Março 31, 2006

O meu cérebro numa tina

Hoje em dia, a medicina moderna permite manter vivo alguém ligado a uma máquina. O cérebro precisa de oxigénio, temos respiradores artificiais, bombas para manter o fluxo sanguíneo, unidades de hemodiálise que limpam o sangue, etc.

Ou seja, teoricamente, podia ter o meu cérebro numa tina, ligado a máquinas, mantendo-me assim, vivo.

E não seria só o cérebro. Queria também o nariz, os olhos e um ouvido. A boca era giro também, mas não sei se seria muito prático.

Tudo, dentro da tina, com formol, ou outro produto conservador.

Podia ser arrumado num canto, ou ser posto em cima de uma mesa, deixado ali, estúpido, a olhar para onde ficasse virado. Uma vida reduzida a uma tina e à visão das coisas, distorcida pela refracção do vidro e do liquido.

A grande vantagem era mesmo a ausência de dores no corpo, as unhas por cortar, o cabelo grande ou mesmo o rabo sujo, quando não se têm aquele metro extra de papel higiénico. Seria o mais aproximado da liberdade.

No entanto, tenho algumas dúvidas, pois nem tudo seria um mar de rosa…

Imagino-me com comichão no nariz, e sem mãos para coçar. Imagino-me com vontade de dar um espirro, e não ter pulmões para a explosão de ar. E como é que eu limpava a remela dos olhos?

Dormir também estava fora de questão, pois sem pálpebras não conseguia aquele cantinho escuro dentro de “mim” para adormecer.

Mas de resto, parece-me bem. Tenho que experimentar. Só de me imaginar a viajar de avião na mala de mão de alguém, deixa-me em pulgas!!!

(Aerogel)

O Homem enquanto ser migratório

Milhares de anos passaram desde a última evolução, que nos transformou nos homo sapiens que somos hoje. Viemos de África, migrando para Norte, até à Europa e Ásia. Hoje, somos mais inteligentes, adaptáveis, usamos linguagem, criamos ideias e projectos, etc.

No entanto, estranho como possa parecer, há uma herança na nossa existência que me deixa a pensar. A migração humana.

Todos os anos milhões de humanos em certo dia primaveril largam os seus trabalhos, as suas casas e famílias para migrar. O instinto primitivo obriga o ser a deslocar-se, para a terra da sua origem, das origens dos seus pais e avós.

A rota humana migratória mais conhecida, a Península Ibérica paradisaea, que vai até às margens Nordeste do rio Ural na Rússia, traduzem bem esta minha preocupação. Milhares de quilómetros são percorridos em questão de semanas, seguindo ano após ano as mesmas estradas, os mesmos pinhais, as mesmas florestas.

Apesar de penoso, estas rotas são feitas incansavelmente, ininterruptamente.

Resta-me perguntar o que será das famílias, dos filhos, das ocupações profissionais destes seres migratórios, que de um dia para o outro desaparecem para percorrer um caminho milenar?

Será apenas o instinto de reprodução e desova, ou há uma vontade pessoal na concretização deste estímulo? Nunca tinha pensado em nós humanos, como mais um cardume de salmões.

(Aerogel)

Quinta-feira, Março 16, 2006

Arrepio de mijo


Acabar de mijar proporciona várias vezes – vezes estas também proporcionais à vontade e tempo de espera até – uma sensação inigualável. É o arrepio de mijo. Um formigueiro que percorre toda a coluna, sobe à cabeça e faz vibrar o cérebro e olhos e que nos faz quase gemer de prazer.

Mas há uma dúvida. A única dúvida. Tal como o mijar de pé, será o arrepio apenas uma consequência masculina? E as mulheres? Sentem esse arrepio?

Geralmente tento não entrar nos quartos de banho femininos (não por falta de vontade, mas não fica bem), mas muitas das vezes em que assisti – naqueles actos voyeristas homossexuais – os meus amigos a mijar, discutíamos o arrepio, a necessidade de o ter, e as implicações de quem não o tinha, na população masculina.

Mas, e as mulheres? Como será o arrepio para elas? Poder-se-á comparar a um orgasmo? Será mais como um chuto nas costas? É bom ou mau? Sabe bem? Justifica-se?

Se eu fosse mulher, gostava de mijar apertadinha, a ver se sentia o tal de arrepio!
(Aerogel)

Super Gray Stuff

As horas vão sempre altas, quando na televisão se vêm as tele-vendas. Já vimos o Abdominizer, o Reduce Fat Fast, os tapperwares variados e muito mais.

Mas eis que, de entre a neblina, aparece o Super Blue Stuff, um produto milagroso, com dezenas de utilizações. Como sempre, bem regado de explicações e aplicações.

Mas será mesmo este produto o que as donas de casa precisam? E o mecânico? O Médico? E para mim?... É bom, mas ainda não convence. Há um público-alvo. Há sempre.

Bem... até agora.

Chegou o Super Gray Stuff. Em bisnaga, espuma, tablete, entre outras apresentações, pode ser utilizado para tudo. É verdadeiramente o produto ideal, para tudo!

E é a loucura, o êxtase. Todos querem um (ou dois) para si. As possibilidades são imensas. Ora vejamos:

- Super Gray Stuff dá, entre todas as outras coisas, para colar e descolar. Dá para comer, barrar, enfeitar bolos. Dá dinheiro aos pobres e dá para pintar as paredes. Dá para saltar à corda e dá as notícias. Dá para cuidar dos filhos ou dá para os levar à escola.

Dá como método contraceptivo e também como lubrificante. Inclusivamente dá para acertar no Euromilhões. Dá também para levar a Marisa Cruz a jantar fora. Ou qualquer outra pessoa. Dá para tirar a rolha das garrafas e dá para andar a cavalo.

Nunca antes se viu nada assim. E tudo com apenas uma aplicação. Podia ser bom, mas é excelente… este produto faz tudo. Basta usar e imaginar.

Sujestões?

(Aerogel)

Olá!

O gelo inicial é sempre o mais difícil de quebrar. Não é que seja ainda mais sólido que o outro, simplesmente ainda teima em colar às mãos e dar estalos estúpidos devido à temperatura exterior. Não é que isso seja mau ou mesmo bom, já que esse tipo de julgamentos não devem fazer parte da realidade do gelo. É sim uma atitude corajosa (admitindo agora a coragem como um atributo da água) por parte de um sólido que em breve vai perder a sua dignidade.

Por isso aqui fica um quebra-gelo que pralém de gelo corta fiambre, queijo ou mesmo a couve para o caldo verde. As rodelas de chouriço podem ser cortadas com uma boa faca.

(thorazine)