Sexta-feira, Março 31, 2006

O Homem enquanto ser migratório

Milhares de anos passaram desde a última evolução, que nos transformou nos homo sapiens que somos hoje. Viemos de África, migrando para Norte, até à Europa e Ásia. Hoje, somos mais inteligentes, adaptáveis, usamos linguagem, criamos ideias e projectos, etc.

No entanto, estranho como possa parecer, há uma herança na nossa existência que me deixa a pensar. A migração humana.

Todos os anos milhões de humanos em certo dia primaveril largam os seus trabalhos, as suas casas e famílias para migrar. O instinto primitivo obriga o ser a deslocar-se, para a terra da sua origem, das origens dos seus pais e avós.

A rota humana migratória mais conhecida, a Península Ibérica paradisaea, que vai até às margens Nordeste do rio Ural na Rússia, traduzem bem esta minha preocupação. Milhares de quilómetros são percorridos em questão de semanas, seguindo ano após ano as mesmas estradas, os mesmos pinhais, as mesmas florestas.

Apesar de penoso, estas rotas são feitas incansavelmente, ininterruptamente.

Resta-me perguntar o que será das famílias, dos filhos, das ocupações profissionais destes seres migratórios, que de um dia para o outro desaparecem para percorrer um caminho milenar?

Será apenas o instinto de reprodução e desova, ou há uma vontade pessoal na concretização deste estímulo? Nunca tinha pensado em nós humanos, como mais um cardume de salmões.

(Aerogel)